Black Friday ou Black Fraude? Comércio eleva preço antes da promoção, aponta a Folha

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Reportagem da Folha, denuncia esquema de fraudes, praticadas antes e no dia da promoção mais conhecida e esperada do ano, a Black Friday.

O Black Friday, é período conhecido por dá descontos vantajosos em muitas lojas da América, o evento teve início nos USA, e se espalho nos demais países, incluindo o Brasil. Só que por aqui, o evento concentra milhares de notificações de propaganda enganosa, boa parte dos descontos que os consumidores encontram nos sites das grandes lojas não representa reduções de preço, apesar de muitas vezes trazerem bons descontos. Segundo o jornal “A Folha”, monitorou o preço de 6.875 itens, por 15 dias (desde o dia 31 de outubro), em nove das maiores lojas de varejo do país.

A equipe de pesquisa mostra dados que as empresas, fazem constantes alterações nos valores para ludibriar os clientes. O que chamou a atenção é que essa oscilação ocorre não apenas no preço final dos produtos – o “por” escrito nos cartazes de promoção e que também estampam os produtos no varejo online. Há variações também no “de”, o preço original.

Segundo a reportagem, esse tipo de variação ocorreu, por exemplo, com um celular Galaxy J5, com 16GB, no Extra.

De um dia para o outro, o “de”, o valor que seria o ponto de partida, foi alterado. Passou de R$ 863 para R$ 1.699, crescimento de 97%. O “por” também subiu, indo de R$ 799 para R$ 972, uma alta de 22%. Com a alteração nas duas pontas do preço, o desconto final cresceu de 7% para 42%, ou seja, na prática, o celular ficou mais caro.

Também foram detectados casos em que o valor final do item não mudou, mas o “de” subiu. Assim, o desconto cresceu sem que o preço real nem sequer fosse alterado. Ou seja eles superfaturam o valor do produto antes da promoção, para então dá o desconto, caracterizando que a mercadoria e seria mais caro antes do evento.

E não fica por aí, o levantamento feito pela reportagem acompanhou exatamente o mesmo produto (cor, tamanho, além do código de identificação).

TUDO PREÇO ARTIFICIAL

Segundo a reportagem da Folha, a média, cerca de 12% dos itens monitorados nas Casas Bahia e 11% no Pontofrio, se enquadraram em algum dos tipos de aumento artificial de descontos. Foram os percentuais mais altos entre as lojas acompanhadas.

A reportagem foi mais além, se analisados as categorias isoladas de produtos, o volume chega a 22% dos fogões das Casas Bahia e 21% do Ponto Frio; na Ricardo Eletro, 35% dos micro-ondas tiveram esse tipo de oscilação.

O levantamento, no entanto, identificou que há também descontos verdadeiros. Outra vez Ponto Frio e Casas Bahia se destacam. Foram as redes com a maior quantidade de itens com descontos “reais” (o valor efetivamente cobrado caiu).

As empresas, por sua vez, negam que estejam tentando enganar o consumidor. Afirmam que a determinação do preço do produto é complexo e dinâmico, por isso podem aparecer diferentes valores.

O Procon-SP, por seu lado, diz que são passíveis de autuação casos em que o varejista anuncia preços que jamais foram praticados, com o objetivo de simular promoção. Essa fraude é conhecida como maquiagem de preço.

SAIBA MAIS SOBRE O LEVANTAMENTO

O levantamento que a Folha coletou no dia a dia, o preço de 6.875 itens, de 50 categorias de produtos, nas oito lojas de eletroeletrônicos que tiveram mais reclamações na Black Friday de 2016, no site Reclame Aqui. Foi incluído também o Ricardo Eletro, que não estava na lista, mas tem operação importante. inicialmente, o levantamento acompanharia 319 itens, entre os mais vendidos on-line. Como as telas dos sites mostram diversos outros produtos, optou-se por mapear todos que aparecessem. Foram monitorados os preços de produtos exatamente iguais. Celular foi a categoria com maior número de itens (1.471), seguido de geladeira (1.355) e fogão (594).

OS DESCONTOS ARTIFICIAIS

Os diferentes métodos que podem confundir o consumidor nos sites das lojas.

1 – Preço sobe, mas desconto também cresce

Apesar de o produto ter ficado mais caro, o percentual do desconto apresentado se mantém ou até aumenta.

 2 – Preço não se altera, mas desconto aumenta.

O valor cobrado pelo produto segue inalterado, mas o percentual de desconto fica maior.

 3 – Preço sobe, mas desconto permanece.

Apesar de ter ficado mais caro, produto ainda aparece como em promoção (ainda que em percentual menor)

4 – Aumento de desconto desproporcional.

Apesar de ter ficado mais barato, produto aparece com desconto “inflacionado”.

 LOJAS COM MAIOR INCIDÊNCIA DE PREÇO ALTERADO POR CADA TIPO

Em % de itens

O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS

Especialistas argumentam que o preço é formado por muitas variáveis. Também explicam que, não raro, as mudanças são estratégias de marketing para alimentar o desejo de consumo.

O LADO DAS EMPRESAS

As empresas que apresentaram as maiores oscilações de preços no levantamento realizado pela Folha, afirmaram que a precificação dos produtos é complexa e envolve critérios diversos. Elas negam que estejam tentando enganar o consumidor.

A Via Varejo, que administra a Casas Bahia, Pontofrio e Extra, diz que as ofertas passam por “eventuais alterações” devido a “políticas mercadológicas que envolvem uma série de fatores”.

Sobre o celular Galaxy no Extra identificado pela reportagem, cujo preço subiu e o desconto apresentado ficou ainda maior, a empresa afirma que o item foi oferecido por vendedores diferentes.

Para o Submarino, é normal que haja flutuações nos preços, que podem ocorrer por causa do “marketplace”.

Outra varejista citada, a Ricardo Eletro, diz que tem “o compromisso de buscar o melhor preço para seus clientes” e que sua política de precificação “deriva da intensa negociação de cada item e lote com seus fornecedores, podendo, portanto, sofrer oscilação de preços e de seus respectivos descontos segundo recomposição de estoque”.

O Walmart.com também afirma que “preza pelo respeito ao consumidor e acredita que todo seu processo de precificação e promoções não confunde o consumidor, prova disso é o bom desempenho do Walmart.com apurado por sérias entidades de defesa do consumidor, como o Reclame Aqui e o Procon”.

O Magazine Luiza afirma que não faz alteração de preços em seus produtos do e-commerce. O valor pelo qual o item é registrado permanece no site, segundo a empresa.

Procurada, a rede Fast Shop não se manifestou até a conclusão desta edição.

Fique esperto na hora que for comprar em qualquer loja. Embora o preço destacado seja atrativo, é importante monitora-lo antes das promoções e em várias outras lojas, para que você não seja enganado.

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